Passeando a pé por Copenhague

  • 8/01/2017
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  • Por: Guilherme Goss De Paula

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O tempo estava voando e a viagem chegando ao fim. Parti de trem de Berlim, fiz uma conexão rápida em Hamburgo e segui para a capital dinamarquesa. Durante o trajeto, o trem se dividiu e entrou no ferry para percorrer parte do percurso – coisas que não vemos pelo nosso país, infelizmente.

A uma semana de voltar pra casa, a emoção de conhecer novos lugares já se confundia e dava lugar à emoção de estar chegando ao fim da minha missão – que significava concluir o mochilão por 28 países e voltar pra casa para reencontrar a minha família.

Chegando em Copenhague, desembarquei do trem e comecei a peregrinação à procura do albergue. As informações que tinha anotado não batiam e custei a encontrá-lo. Ao fazer o check-in no Dan Hostel Downtown, fui informado que eles não haviam recebido a minha reserva do site onde eu a havia feito. Problemas à vista? Não, muito pelo contrário! Acabaram por me encaixar em um quarto privativo pelo preço do dormitório compartilhado que eu havia solicitado. Mesmo que tenha sido apenas para a primeira noite, foi ótimo!

Saí pra rua, saquei Dkk 200 (equivalentes a uns € 27) e fui comprar algumas coisinhas para comer em uma loja de conveniência 7 Eleven. E foi lá que me dei conta de como são caras as coisas na Escandinávia. Paguei Dkk 65 por uma coca, um sanduíche simples e dois snickers. Como já era tarde, resolvi voltar para o albergue para comer e descansar.

Na manhã seguinte, tomei café (lá se foram mais Dkk 65), desocupei meu quarto privativo e fui cumprir meu roteiro com uma mapa que peguei na recepção. A primeira parada foi no Tivoli, um famoso parque de diversões que teve suas atividades iniciadas no ano 1843, o que lhe assegura ser um dos mais antigos do mundo. Em um dos lados do parque, basta atravessar a rua para encontrar Ny Carlsberg Glyptotek, um museu de esculturas que tem como destaque obras de Rodin, Degas e pinturas de Cèzanne, Gauguin e Vincent Van Gogh. O museu nasceu a partir do acervo do dono da cervejaria dinamarquesa Carlsberg, chamado Carl Jacobsen.

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Virando a esquina, fica a Rådhuspladsen (Praça da Prefeitura), onde estava ocorrendo um campeonato de futebol – dava dó da bola! A Rådhus (Prefeitura) é um prédio inconfundível, construído com tijolos avermelhados e que possui, no alto de sua torre, o Jean Olsen’s World Clock – um relógio que precisou de “apenas” 27 anos para ser acertado.

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Próximo dali, na ilha Slotsholmen, fica o Christiansborg Palace, sede dos três poderes – aliás é dito que este é o único prédio do mundo que abriga, simultaneamente, os poderes executivo, legislativo e judiciário.

Continuei caminhando e cheguei na Strøget que começa na Prefeitura e termina no porto Nyhavn (falarei sobre ele mais pra frente) – e dizem ser o maior calçadão do mundo. Falando em recordes, é nessa rua de pedestres que fica o Guinness World Records Museum, baseado no famoso livro dos recordes.

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Na extremidade da Strøget, como disse antes, fica o Nyhavn (Novo Porto), um dos cartões postais da cidade, repleto de casinhas típicas e coloridas que, transformadas em bons restaurantes, atraem muita gente.

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No passado, quem já habitou essas charmosas casinhas coloridas (mais precisamente, as de número 18, 20 e 67) foi Hans Christian Andersen, célebre escritos dinamarquês. Você pode até não conhecê-lo pelo nome mas, com certeza, conhece O Patinho Feio, O Soldadinho de Chumbo e A Pequena Sereia.

Ali perto fica a residência da família real, o Amalienborg Slot, um complexo de quatro palácios ao redor de uma grande praça central, que abriga a estátua equestre de Frederik V (rei da Dinamarca e da Noruega no século 18). Me programei para chegar lá pouco antes das 12h para poder assistir à troca da guarda. Ao leste do complexo e de frente para o canal fica o Amaliehaven, o jardim do palácio.

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Do lado oposto, seguindo a rua Frederiksgade, está localizada a Frederiks Kirke – também conhecida como Marmorkirken (Igreja de Mármore) –, com seu domo de 31 metros de diâmetro. A poucos metros, fica a igreja ortodoxa russa Alexander Nevsky que chama a atenção para o brilho de suas três cúpulas douradas.

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Como eu estava procurando a famosa estátua da Pequena Sereia, continuei caminhando pela rua Amaliegade no sentido norte. Pelo caminho, encontrei o Churchillparken onde está localizada a igreja anglicana Sankt Albans Kirke, pequena, mas muito interessante. Construída em estilo neogótico, possui apenas uma torre estreita e pontiaguda.

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Saindo da igreja, no mesmo parque, deparei-me com a Gefionspringvandet (Fonte Gefion), cuja história é muito interessante e remete à origem da Zelândia (ilha dinamarquesa onde fica Copenhague). Conta-se, segundo a lenda, que o rei sueco Gylfi prometeu a Gefion (ou Gefjun, uma deusa da mitologia nórdica) que lhe daria todas as terras que ela fosse capaz de lavrar em uma noite e um dia. Os quatro bois da fonte seriam os filhos da própria Gefion, e ela os teria transformado em animais para que pudesse realizar o trabalho. As terras lavradas teriam se desprendido do continente, formando, inclusive, o lago Vänern, na Suécia – onde Gefion teria desaparecido.

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Finalmente, eu dava meus últimos passos na direção da famosa, e pequena, sereia. Sendo um dos símbolos do país, Den Lille Havfrue (A Pequena Sereia) pode decepcionar muitos desavisados, pois ela é, de fato, muito pequena. A criação de Andersen, entretanto, é orgulho dos dinamarqueses que comemoram até mesmo o seu aniversário, no dia 23 de agosto.

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Ali do lado, cercado por um lago, fica o Kastellet (Cidadela), uma preservada fortaleza pentagonal, protegida por bastiões, que abriga atividades militares mas pode, em partes, ser visitada. Em outros tempos, a estrutura foi responsável pela proteção da cidade contra ingleses na Batalha de Copenhague (1807) e alemães durante o episódio conhecido como a Invasão Alemã (1940) – sem sucesso no último caso.

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No caminho de volta, conheci a luterana Sankt Pauls Kirke (Igreja de São Paulo) antes de chegar ao Kongens Have (Jardim do Rei), um dos locais mais agradáveis da capital para passear sem se preocupar com o tempo ou para fazer um piquenique. Cercado pelos jardins, o Rosenborg Slot já foi residência da família real e hoje, aberto para visitações, exibe com destaque as Joias da Coroa Dinamarquesa.

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Pertinho da Universidade de Copenhague, está localizada a catedral da cidade, a Vor Frue Kirke (Igreja de Nossa Senhora). Projetada em estilo neoclássico pelo arquiteto Christian Frederik Hansen, teve suas obras concluídas em 1829. Seu interior leve e de cores claras guarda esculturas dos 12 apóstolos.

O inevitável em Copenhague é ficar muito tempo longe da Strøget – o calçadão. Como magnetismo, ela parece atrair a todos, principalmente os mais dispostos a comprar e comer. Este último era o meu caso, eu estava com fome e o problema era encontrar um local barato. Sim, é verdade que na Escandinávia tudo é mais caro, então resolvi me entregar, sem culpa, ao velho e bom fast-food. Depois do lanche voltei ao albergue para descansar um pouco e refazer o check-in para o dormitório compartilhado.

A próxima atração da lista era a polêmica Christiania. Foi uma longa caminhada até chegar no reduto hippie. Em 1971, a área foi utilizada como um acampamento e foi evoluindo até chegar no que é hoje: uma comunidade autossustentável, desprovida de hierarquia, que dita suas próprias regras (que podem ser contadas nos dedos) e que não dá muita bola para o que se passa do lado de fora. O uso e comércio de drogas consideradas leves (maconha e derivações) é comum na Pusher Street (também chamada de Green Light District). O histórico da “Cidade Livre” com as autoridades é turbulento, proibições e intervenções já foram feitas mas, ao que parece, Christiania já conquistou seu lugar. Não é o local mais agradável de se ver (é sujo e feio), mas deve ser visto.

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Encarei mais uma longa caminhada até a estação de trem para me certificar sobre os horários de trem para Oslo (Noruega) e tomei uma Carlsberg em frente ao albergue para encerrar o dia. Na manhã seguinte, levantei cedo para partir. O céu azul, sem nuvens, era a promessa de um bom dia.


Este é o 49º post da série Mochilão na Europa I (28 países)

Leia o post anterior: Berlim: a cidade de todos os adjetivos

Leia o próximo post: Oslo (em breve!)


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Guilherme Goss De Paula

Nascido em Tupã, no interior de São Paulo, sua primeira experiência internacional foi um intercâmbio na Alemanha - onde despertou seu interesse por conhecer o mundo. Trabalhou com turismo nos EUA, no Amazonas e em Santa Catarina. Graduou-se em Turismo e Hotelaria e abriu sua própria agência de viagens. Sempre em busca de novos destinos, acumula passagens por mais de 60 países. Como escritor-viajante, já participou de diversas edições dos guias O Viajante, além de ser colaborador voluntário dos sites TripAdvisor e Mochileiros.com. Sua melhor viagem é sempre a próxima!


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