Sexo, drogas, história e arte (Amsterdã, Holanda)

  • 2/06/2016
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  • Por: Guilherme Goss De Paula

Depois de um voo cercado por beberrões desde Edimburgo, a aeronave da Easyjet, cia low cost europeia, pousou tranquilamente no aeroporto internacional de Amsterdã – Schiphol. De lá, parti em um trem abarrotado até a Centraal Station. Ao deixar a estação, me surpreendi pela quantidade de bicicletas estacionadas – devido ao relevo plano da cidade, as bikes são muito utilizadas. Por fim, peguei o tram número 5 que parou em mais dez pontos para chegar ao Museumplein – meu ponto de desembarque.

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Fiquei hospedado no albergue Annemarie, que não tinha a localização que eu queria, lá no burburinho, mas tive uma ótima estada.  Para conseguir um albergue mais central em Amsterdã, a reserva deve ser feita com bastante antecedência. Depois de realizar o check-in, saí apressado para conhecer a cidade.

Em qualquer Eurotrip tradicional, Amsterdã é, certamente, uma das primeiras cidades escolhidas! A cidade dos sonhos de muitos viajantes agrada por suas peculiaridades, embora a maioria dos aventureiros não permaneça por mais de três dias na cidade (estatística minha!) – diferentemente das grandes capitais que requerem de quatro a cinco dias para serem exploradas.

O primeiro local que visitei foi o Red Light District (o Bairro da Luz Vermelha), mundialmente conhecido pelas mulheres que se expõem nas vitrines como se fossem produtos. E a diversidade é grande: há mulheres bonitas, feias, novas, velhas, bem velhas, gordas, negras, loiras, asiáticas, transexuais, enfim, tem para todos os gostos. O preço da volúpia parece meio tabelado: € 50,00. Passada a curiosidade inicial, analisar tudo aquilo pode ser chocante – trata-se de um enorme mercado de prostituição em uma das áreas mais movimentadas da cidade, em plena Europa.

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Mas nem só de prostituição vive o Red Light District… Também há muitos coffee shops (rs). Famosos por venderem maconha (e suas dezenas, ou centenas, de variações), esses cafés são muito populares na cidade e vivem cheios de turistas e apreciadores da erva. Interessante é que esses estabelecimentos não vendem bebidas alcoólicas e, alguns, nem mesmo café! O cardápio dos coffee shops também costuma incluir cogumelos e os adoráveis space cakes – bolinhos de chocolate (ou outro sabor qualquer) que, aparentemente inofensivos, podem te deixar chapadão! Sim, Amsterdã é uma cidade bem mais tolerante e, seja qual for a sua opinião sobre essas drogas, vale a pena visitá-la para ver tudo isso de perto – só não vale levar o preconceito junto.

Assim como no Red Light, outros bairros também são cortados pelos famosos canais – esses sim agradam a todos por unanimidade. Os canais representam a cidade e formam, talvez, as primeiras imagens em nossas mentes quando pensamos nela. Pelas margens dos canais maiores, há uma grande quantidade de barcos atracados – em alguns deles há gente morando; em outros há turistas que pagam para tê-lo como um meio de hospedagem mais autêntico e descolado. Cruzando entre os canais de Amsterdã, outros símbolos da cidade são as pontes e as bicicletas que, encostadas em suas grades com um canal ao fundo, formam uma conhecida imagem da capital holandesa.

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Enquanto eu rodava sem direção pelos canais, aconteceu um encontro inusitado. Mark, o catalão que eu havia conhecido na cidade do Porto (leia o post aqui) havia exatamente um mês, estava na cidade com alguns amigos para assistir a um show de uma banda de rock europeia que eu não conhecia – e nem me lembro do nome. Continuamos caminhando e conversando sobre as viagens até eu ser atingido em cheio por uma pomba holandesa. Entramos num bar para que eu pudesse me limpar e aproveitamos para degustar uma cerveja. Avistei um rótulo diferente, algo como Growenbow (ou parecido com isso) e decidi experimentar. Era terrível. Parecia qualquer coisa, menos cerveja. Talvez nem fosse mesmo, pois tinha gosto de cidra. Depois dessa catástrofe até perdi a sede. Continuamos para o Ambrax, um famoso coffee shop, segundo ele dizia. Ele analisou o cardápio e pediu um haxixe marroquino. O atendente pegou o pedido e o entregou, em seguida sentamos no sofá e, enquanto ele “bolava” seu cigarrinho o segurança veio me pedir para tirar o boné. Hein?! Pois é, álcool e bonés não são permitidos em coffee shops (ao menos nesse). Logo o cheiro e a fumaça do haxixe se espalhavam pelo ar, misturando-se à outra espessa camada de fumaça formada sobre as nossas cabeças. Em seguida ele me ofereceu. E eu? Aceitei. Oras, eu estava em Amsterdã! Mas não gostei. O gosto era forte demais e parei na primeira tragada mesmo. Próximo a nós havia uma turma de espanhóis com quem nos enturmamos, mas logo tive que partir pois a tabela de horários dizia que o último tram para o meu albergue partiria em alguns minutos. Foi uma corrida e tanto até encontrar o ponto (não, eu não estava chapado!), mas cheguei a tempo.

No dia seguinte, ali pertinho do albergue, aproveitei o tempo bom para tirar algumas fotos em frente ao famoso letreiro “I amsterdam” defronte ao imponente Rijksmuseum – que é o museu de artes e história mais importante, e provavelmente mais bonito, do país.

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De tram (como sempre), parti para a Dam Square, a principal praça da cidade que abriga a catedral Nieuewe Kerk, a antiga prefeitura Koninklijk Paleis, o museu de cera Madame Tussauds e o obelisco National Monument, dedicado aos que faleceram na Segunda Guerra.

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Depois fui à Anne Frank Huis (Cassa de Anne Frank) conhecer o esconderijo onde a garota, sua família e agregados viveram por dois anos, durante a Segunda Guerra Mundial. Pude conhecer cada pedacinho da local que ela descrevia nos relatos sinceros de seu diário. O local (que virou museu) é um dos locais mais visitados (e disputados) da cidade. Minha dica é: se você for pra lá, faça como eu, leia o livro antes.

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Outra casa que virou museu em Amsterdã é a do pintor impressionista Rembrandt. O espaço apresenta diversas obras do artista e oferece um workshop pra quem estiver inspirado a imitá-lo.

Destoando do agito e da luxúria característicos da cidade, Begijnhof é um local de rara tranquilidade e silêncio. O jardim das beatas é composto por uma série de casas tradicionais e, obviamente, uma igreja, a Engelse Kerk.

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Já no fim da tarde, topei acidentalmente com um pequeno templo budista e, seguindo o caminho, passei novamente pelo RLD onde fui checar como funcionava o tal Peep Show – o que vi, nada mais era que uma cabine com um banco e uma tela em frente; você coloca as moedinhas e elas se convertem em tempo para que você possa assistir a filmes familiares (só que não!). Lendo sobre o assunto, descobri que também há o peep show com pessoas de verdade e os espectadores assistem a tudo por um quadradinho de vidro – o local chamado Sex Palace, parece ser o último desse tipo em Amsterdã.

Na manhã seguinte, acordei cedo e fui para o fantástico Van Gogh Museum que possui o maior acervo do artista. As obras estão exibidas cronologicamente, permitindo que os visitantes identifiquem as diferentes fases do pintor.

Esta última visita fechou com chave de ouro a minha passagem pela liberal e controversa Amsterdã. E foi assim, com um gostinho de quero mais devido às muitas atrações que ficaram por visitar, que peguei minha mochila e segui para a estação de trem de onde partiria para Bruxelas.


Este é o 18º post da série Mochilão na Europa I (28 países)

Leia o post anterior: Tour pelas Highlands (Escócia)

Leia o post seguinte: Conhecendo Bruxelas (Bélgica)


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Guilherme Goss De Paula

Nascido em Tupã, no interior de São Paulo, sua primeira experiência internacional foi um intercâmbio na Alemanha - onde despertou seu interesse por conhecer o mundo. Trabalhou com turismo nos EUA, no Amazonas e em Santa Catarina. Graduou-se em Turismo e Hotelaria e abriu sua própria agência de viagens. Sempre em busca de novos destinos, acumula passagens por mais de 60 países. Como escritor-viajante, já participou de diversas edições dos guias O Viajante, além de ser colaborador voluntário dos sites TripAdvisor e Mochileiros.com. Sua melhor viagem é sempre a próxima!


2 respostas para “Sexo, drogas, história e arte (Amsterdã, Holanda)”

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