Uma cidade para voltar (Paris, França)

  • 29/03/2016
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  • Por: Guilherme Goss De Paula

Eu vinha de Barcelona e, como não haviam bilhetes disponíveis para o trem que ia direto à capital francesa, tive que fazer uma parada forçada em Montpellier, no sul do país. No primeiro trecho da viagem cruzei a fronteira. Oficiais franceses fizeram uma rápida checagem de passaportes, sem tocá-los. Ao meu lado, sentava uma senhora que viajava com dois filhos pequenos e, provavelmente, os oficiais acharam que éramos todos franceses.

Ao desembarcar em Montpellier, começaram os problemas. Depois de esperar um tempão na fila, com a mochila pesando nas costas, descobri que os trens que partiam dali também não tinham mais lugares disponíveis – para portadores de passes como o meu, por isso a importância da reserva com antecedência, principalmente para as capitais. Pior que isso, eu só conseguiria embarcar pagando pouco no dia seguinte. Pensei, pensei, e fiz as contas. Se ficasse na cidade (que é bacana, mas não fazia parte do meu planejamento), teria uma série de gastos com hospedagem, alimentação e estaria utilizando um dia do meu tão calculado roteiro. A outra opção era embarcar naquele mesmo trem, que partiria em uma hora, pagando absurdos € 132,50 pelo bilhete para a primeira classe do ilustre trem TGV. Tomei minha decisão e, com o bolso triste, comprei o bilhete. Mas minutos depois eu já estava todo empolgado por estar prestes a conhecer a primeira classe do trem famosão.

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Logo ao embarcar, já pude notar a diferença: poltronas grandes e confortáveis. Como minha passagem não tinha número, aproveitei para sentar no melhor lugar! O trem partiu. A viagem não seria tão longa, mas a minha alegria foi bem mais curta. Algumas paradas após deixarmos Montpellier, o dono do meu assento embarcou. Encontrei outro assento. Mais algumas paradas e, novamente, tive que ceder o lugar. Com o trem lotado, a única opção disponível era um assento para portadores de necessidades especiais – duro e pequeno, nem um pouco confortável. Educadamente, em inglês, falei com o senhor que checava os bilhetes. Ele não entendeu mas disse que eu poderia permanecer ali mesmo. Insisti que queria outro lugar para sentar – afinal, havia pago uma fortuna! Ele, muito deselegantemente, já saindo, apontou para seu olho como quem diz: “– Procure”. Obviamente, fiquei indignado diante dessa situação, era muita falta de respeito e de educação com um cliente. E isso foi o suficiente para estragar o resto da minha viagem. Em seguida, coloquei os fones de ouvido para não ter que ouvir mais nenhum desaforo.

Nesse momento, olhei pela janela e vi que as coisas tendiam a piorar. Estava nevando e eu, que não acreditei fielmente nas informações meteorológicas para aquele período, havia embarcado para a Europa com poucas roupas de inverno. Por fim, a viagem terminou e eu desembarquei na Cidade Luz! Para meu alívio, não fazia tanto frio em Paris e cheguei facilmente até o albergue Young and Happy – opção razoável, localizado na Rue Mouffetard que é repleta de opções gastronômicas a bons preços. No check-in mais uma desagradável surpresa: a reserva que eu havia solicitado por e-mail, não fora confirmada, pois também não havia disponibilidade para todos os dias que eu desejava. Por sorte, havia lugar justamente para a primeira noite. Cansado, fui dormir e deixei para resolver o problema no dia seguinte.

Pela manhã, a recepcionista, ciente da minha situação, entrou em contato com um albergue próximo que tinha vagas disponíveis. Problema resolvido. Caminhei por alguns minutos até encontrar o Oops!, inaugurado em setembro de 2007, estava novinho em folha. É um ótimo e moderno albergue design localizado a poucos passos da estação de metrô Les Gobelins. Oferece excelentes serviços, mas seu preço fica um pouco acima da média – dos albergues.

Com lugar garantido, fui conhecer Paris! Comecei pelo berço da cidade, a Île de la Cité – uma ilha em meio ao rio Sena. Conheci o Palais de Justice que possui, em sua fachada, as inscrições Liberté, Égalité, Fraternité e segui para a Sainte-Chapelle, uma capela gótica com incríveis vitrais, construída como um relicário para abrigar a coroa de espinhos de Cristo e fragmentos da Vera Cruz.

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O frio, que eu imaginei superar com as roupas que tinha, mostrou-se mais intenso e minhas mãos doíam. Após uma passada na Fontaine Saint Michel, comprei um par de luvas e caminhei, mais tranquilo, até a Catedral de Notre Dame – belíssima igreja construída em estilo gótico, entre 1163 e 1345.

Fui de metrô para a Place de la Concorde, palco de 1.300 decapitações na época da Revolução Francesa. Ao centro, fica o Obelisco de Luxor que, dependendo da versão, foi presente do Egito ou tomado dele. Segui – tirando muitas fotos – pela Champs Élysées, onde parei para experimentar uma legítima baguete francesa, enquanto assistia, por uma vitrine panorâmica, ao incessante movimento da renomada via.

Continuei a pé até o Arc de Triomphe, cuja subida por degraus, é recompensada pelas belas vistas que se tem do topo. De volta à sua base, testemunhei uma homenagem aos combatentes franceses que perderam suas vidas na Segunda Guerra.

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Para encerrar o dia, nada mais justo que fazer uma visita – e quem sabe umas compras – nas Galeries Lafayette. A mais conhecida loja francesa de departamentos, onde se encontra de tudo – desde roupas a móveis e utensílios – e de todas as marcas. A loja ocupa um prédio magnífico que possui um vão central coroado por uma bela cúpula. Mesmo que você não vá a Paris para fazer compras, a visita vale a pena. E como fazer compras não é coisa de mochileiro, voltei de mãos abanando para o albergue.

Lá chegando, conheci meus novos companheiros de quarto: uma família alemã. Eu, que já havia morado em Berlim, puxei conversa. Todos muito atenciosos, ofereceram-me até um lanchinho. Antes de dormir, tentei reservar, sem sucesso, um albergue em Londres – que era meu próximo destino.

No dia seguinte acordei animado, pois estava prestes a visitar as atrações mais marcantes de Paris. Comecei o dia subindo e descendo 700 degraus na Torre Eiffel, onde tomei meu café da manhã. Como era de se esperar, as vistas que se tem da cidade são impressionantes. Paris chega a ficar pequena quando vista do alto dos seus 324 metros.

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Depois chegou a hora de visitar o colossal Musée du Louvre – a casa de Monalisa e Vênus de Milo. Difícil é escolher por qual setor do museu começar, diante de tantas opções. Outros pontos altos que destaco na minha visita são os apartamentos de Napoleão, com ambientes extremamente luxuosos.

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De volta ao albergue, finalmente consegui reservar um albergue em Londres. Aproximava-se o fim da minha rápida estada em Paris, uma cidade encantadora que faz valer sua fama mundial. Apenas uma coisa que me intrigou nesses dias foi a rejeição de vários franceses com o idioma inglês. Claro que há exceções, mas a impressão que tive foi que, ainda hoje, eles não gostam de falar outro idioma que não seja o deles. Portanto, se você pretende dar um pulinho na França, pode ser bem útil aprender algumas palavras antes.

Na manhã seguinte, percorri um longo caminho até a Gare du Nord para pegar o trem rumo a Londres. Passei pela imigração (pois estava deixando a União Europeia) numa boa. Aliás, a oficial inglesa foi muito simpática, fez as perguntas de praxe como: “Quantos dias você pretende ficar na Inglaterra? Quem está pagando a viagem? Aonde você vai depois? Quando volta ao Brasil?”. Tudo isso em um tom suave e com a melhor educação britânica! Expliquei-lhe sobre o mochilão e, curiosamente, ficou parecendo um bate-papo amistoso. Pouco depois eu estava embarcando no trem Eurostar para atravessar o Canal da Mancha.


Este é o 7º post da série Mochilão na Europa I (28 países)

Leia o post anterior: A cidade de Gaudí (Barcelona, Espanha)

Leia o próximo post da série: A capital inesgotável (Londres, Inglaterra)


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Guilherme Goss De Paula

Nascido em Tupã, no interior de São Paulo, sua primeira experiência internacional foi um intercâmbio na Alemanha - onde despertou seu interesse por conhecer o mundo. Trabalhou com turismo nos EUA, no Amazonas e em Santa Catarina. Graduou-se em Turismo e Hotelaria e abriu sua própria agência de viagens. Sempre em busca de novos destinos, acumula passagens por mais de 60 países. Como escritor-viajante, já participou de diversas edições dos guias O Viajante, além de ser colaborador voluntário dos sites TripAdvisor e Mochileiros.com. Sua melhor viagem é sempre a próxima!


3 respostas para “Uma cidade para voltar (Paris, França)”

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