Huacas del Sol y La Luna, Chan Chan e Huanchaco – Visitando os arredores de Trujillo (Peru)

  • 8/06/2016
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  • Por: Guilherme Goss De Paula

Fala, viajante!!

Você já deve ter lido o post que contei como foi o Trekking – Laguna 69: desafiando a Cordilheira Branca (Huaraz, Peru), certo? Pois então, agora continuamos seguindo para o norte do Peru. Vamos lá!!


Huacas del Sol y La Luna, Chan Chan e Huanchaco – Visitando os arredores de Trujillo (Peru)

Como vocês puderam sentir no último post, o trekking que fizemos no Parque Nacional Huascarán havia acabado com as nossas energias e, por unanimidade, decidimos nos preservar e dar o fora de Huaraz ao invés de continuar com os trekkings por lá! Uma pena, mas nosso tempo disponível e preparo físico não eram suficientes para encarar mais desafios por lá.

Assim, naquela mesma noite, tomamos um ônibus para Trujillo. Utilizamos a empresa Línea – era um semileito com serviço de bordo e poltronas revestidas de couro para as 21h15. A passagem custou S/. 50 e a viagem de 312km duraria pouco mais de sete horas. A viagem foi ótima, o ônibus estava praticamente vazio e podíamos nos esticar o quanto quiséssemos, pois não havia ninguém nas poltronas ao lado.

Chegamos a Trujillo por volta das 4h30 da madrugada e sem reservas, pois havíamos resolvido tudo de última hora. Esperamos os desesperados taxistas se acalmarem e, quando acabou o assédio, conversamos com um deles. Com um guia na mão, falei dois ou três nomes de albergues e ele reagiu positivamente ao ouvir El Mochilero. Pagamos a ele S/. 7 e seguimos pra lá. Pela janela, foram longos minutos em uma cidade grande (de 800 mil habitantes) e sem graça. Mas o visual começou a mudar quando entramos no centro histórico. Os postes antigos, de lâmpadas amareladas, iluminavam as ruas ainda vazias e casarões coloniais como em uma rápida viagem ao passado. Nosso taxista estacionou e, gentilmente, desceu do carro para checar se havia vagas. Ele nos acenou positivamente e então desembarcamos. Conversamos um pouco com o atencioso recepcionista (que estava dormindo, mas não acordou de mau humor!!) e fomos deitar.

El Mochilero é um albergue popular entre viajantes estrangeiros, possui quartos grandes, dois pátios e um bar, além de vender passeios pela região. A diária dos quartos compartilhados sai S/. 25 por pessoa, enquanto a dos privativos custa S/. 30 por pessoa. O café da manhã é cobrado à parte: S/. 5 por duas fatias de pão, chá ou café, suco batido de frutas, geleia e manteiga; ou, por S/. 7, acrescentam-se ovos fritos ou mexidos.

Depois do café, seguimos para a Plaza de Armas (ou Plaza Mayor) que concentra algumas construções importantes, como a Catedral e seu museu, a Municipalidad (prefeitura) e o Hotel Libertador. Mas o objetivo de quem vai à Trujillo não é exatamente visitar seu centro histórico, mas sim seus conhecidos sítios arqueológicos. E foi ali mesmo, na Plaza de Armas, que vendedores começaram a nos oferecer passeios diversos a preços suspeitos. Decidimos visitar as agências, que também ficam ali em volta da praça, na Calle Jirón Orbegoso, e constatamos, depois de pechinchar bastante, que os valores e os passeios foram os mesmos que nos ofereceram na praça.

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Inicialmente, iríamos fazer tudo de modo independente, com ônibus locais porém, pela praticidade, baixo custo, e por ter um guia, decidimos por comprar um tour que compreendia transporte e guia a Huacas del Sol y La Luna + retorno ao centro para almoçar + Chan-Chan + Playa de Huanchaco por apenas S/. 20 por pessoa. Na mesma van, conhecemos três chilenos que haviam pago S/. 30 pelo mesmo passeio portanto, pechinche, chore, sem dó!


Huacas del Sol y La Luna

O passeio começou às 11h e assim que nossa van deixou o perímetro urbano, percorremos poucos minutos até nossa primeira parada neste sítio arqueológico, que fica a apenas 8 km ao sul da cidade. O sítio compreende basicamente duas pirâmides enormes (as huacas), o setor urbano (espaço entre elas), um pequeno aglomerado de barraquinhas de suvenir, a bilheteria, um museu e o Cerro Blanco (uma montanha que completa o cenário).

A entrada para as huacas custa S/. 10 e para o Museo Huacas de Moche custa S/. 5 (estudantes pagam S/. 3). O museu exibe peças de porcelana produzidas pela civilização mochica.

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Huaca é uma palavra de origem Qechua que significa “lugar sagrado” e é assim que os Moches, que formaram essa civilização pré-inca, as tinham. Eles viveram no norte do Peru e esse sítio, próximo a Trujillo, foi o centro mais importante que construíram.

A Huaca del Sol era o centro político e administrativo mas, infelizmente, não pode ser visitado.

A Huaca de La Luna, por sua vez, foi um templo religioso e encontra-se em um bom estado de conservação para ser visitado. Um dos pontos altos da visita foram os muros pintados com criaturas metade homem, metade animais (eles mesclavam, por exemplo, homem e pássaro para que o homem pudesse voar). Outro ponto que merece destaque é o incrível procedimento que adotavam a cada líder máximo que morria: eles enterravam tudo e construíam um novo andar, idêntico, logo acima – durante a visita é possível ver claramente os vários níveis sobrepostos.

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Neste templo também eram realizadas cerimônias de sacrifício por decapitação: dois grupos se enfrentavam com o objetivo de apenas capturar um ao outro, e não matar. Os perdedores eram levados a um lugar de sacrifícios onde eram degolados.

O fim da civilização Moche pode ter tido mais de um motivo. Cogita-se que o fenômeno El Niño possa ter contribuído para isso e, também, os rituais de sacrifício (onde morriam os homens) influenciaram para o não crescimento populacional.

Encerrada nossa visita, fomos levados ao centro para almoçar. Todas as agências sugerem e param suas vans em frente aos restaurantes conveniados, com menus turísticos, geralmente custando o dobro ou o triplo de um restaurante comum. Portanto, se você quiser economizar, dê uma olhada nos restaurantes ao redor e faça sua escolha. Nós pesquisamos e comemos em restaurante próximo, um Chifa (restaurante de comida sino-peruana), onde pagamos S/. 7 por um prato de arroz temperado com asinhas de frango (alitas) e pasteis, S/. 7.50 por um prato de arroz temperado, frango com macarrão e legumes e pasteis e mais S/. 5 por uma Inca Kola de um litro. No total, pagamos S/. 19 pelo almoço de três pessoas enquanto, no outro restaurante, apenas uma pessoa comeria por esse valor.

Após o almoço nos reunimos ao grupo e seguimos para a segunda parte do passeio.


Huaca Arco Iris

Nossa primeira parada foi na Huaca Arco Iris onde compramos os ingressos por S/. 10 (estudantes pagam meia), válidos para quatro pontos distintos: Huaca Arco Iris (visitamos), Huaca La Esmeralda, Museo de Sítio e Palácio Nik-An (visitamos).

Na Huaca Arco Iris a visita foi rápida, cerca de 30 minutos. Construído entre os séculos 9 e 11 pelos Tiwanaku e Huari, o templo foi dedicado à água. Nas paredes dos templos há vários desenhos que ilustram diversos arco-íris, que deram o nome a esse pequeno templo.

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Chan-Chan

A principal herança da civilização Chimu são as ruínas de Chan-Chan, a maior cidade de barro do mundo – onde fica o Palácio Nik-An. Chegando lá, a van nos deixou bem à porta do sítio. O acesso às ruínas também se dá pelo transporte público, porém da estrada até sua entrada deve-se caminhar cerca de 1,5 km, geralmente debaixo de sol quente, bem quente!

Logo após a entrada, chegamos a uma espécie de arena enorme, a praça principal do Palácio. Depois seguimos caminhando e observando as paredes e muros com temas marinhos, como peixes e redes de pesca – as ruínas ficam a apenas 1 km do mar, que exerceu forte influência em suas construções. O nome Chimu foi dado pelos arqueólogos e deve-se ao fato dessa civilização usar um barro negro (chimu) nessas construções.

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Continuando, a guia nos contou que os sacrifícios também estiveram presentes na civilização chimu. Uma espécie de piscina gigante existia ali e era o destino de crianças da elite oferecidas aos deuses. Suas famílias sentiam-se honradas por este ato. Hoje, a piscina encontra-se forrada de plantas.

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Outro fato interessante dessa cultura é que a morte de um líder chimu nunca era solitária, pois sua esposa e concubinas eram sacrificadas logo após seu falecimento.

Após caminhar pelo sítio e descobrir todo esse lado macabro da civilização, seguimos o tour.


Huanchaco e os caballitos de totora

Não muito longe, a apenas 13 km de Trujillo, fica a praia de Huanchaco. O acesso via transporte público custa cerca de S/. 3. Mas, como este passeio também estava incluído no tour que havíamos comprado, chegamos de van.

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A praia não é nenhuma maravilha e a grande atração são os caballitos de totora – barquinhos feitos com essa matéria prima que é uma espécie de junco –, outrora feitos para a pesca, hoje são uma atração turística e um passeio rápido custa S/. 10 – e esteja preparado para se molhar bastante!

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Se você prefere apenas assistir e curtir o pôr do sol, aproveite para comprar um sorvete local por apenas S/. 2 ou, melhor ainda, um postre (sobremesa) típico feito com arroz com leche (similar ao nosso arroz doce), arroz zambito (leia a receita aqui) e pêssego em calda, também por meros S/. 2 – ambos estão à venda em barraquinhas de rua, na calçada da praia.

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Terminadas nossas experiências gastronômicas e o passeio, a van nos deixou de volta na Plaza de Armas de Trujillo. Caminhamos pelo longo calçadão Jirón Francisco Pizarro, onde há de tudo que você possa precisar, e encontramos algumas agências de viagem onde compramos nossa passagem para Tumbes, na fronteira com o Equador, pela empresa Emtrafesa, por S/. 50.

Retornamos ao albergue para tomar um bom banho e pegar nossas bagagens. Seguimos de táxi (em três pessoas sempre fica barato) até o terminal onde tomamos nosso ônibus. Era um semileito com serviço de bordo. Foram oferecidos: Inca Kola, bombom, pão com azeitonas (que, segundo o Carioca era chocolate!!), balas, amendoim salgado e pudim de leite – uma boa variedade para um serviço de ônibus, não é mesmo?

E assim seguimos viagem…

No próximo post vou contar como foi atravessar a fronteira Peru/Equador: o que aconteceu conosco ao passar pela polícia, na saída do Peru, sobre os taxistas de Tumbes e sobre Huaquilla – cidade fronteiriça equatoriana.

Outras informações

Empresa de ônibus Línea – www.linea.pe

Museu da Catedral de Trujillo – Entrada: S/. 4 para adultos e S/. 2 para estudantes. Abre de segunda a sexta das 9h-13h e das 16h-19h, aos sábados das 9h-13h.

Huacas del Sol y la Luna – http://www.huacasdemoche.pe/. Entrada para o sítio: S/. 10; estudantes pagam S/. 5. Abre diariamente das 9h-16h. Entrada para o Museu Huacas de Moche: S/. 5; estudantes pagam S/. 3. Para chegar em transporte público: tomar a rota a Ovalo Grau (S/. 1) e depois tomar a linha CM (S/. 1.30).

Chan-Chan – http://chanchan.gob.pe/. Entrada S/. 10; estudantes pagam S/. 5. A entrada é válida para: Huaca Arco Iris, Huaca La Esmeralda, Museo de Sítio e Palácio Nik-An. Abre diariamente das 9h-16h.

Empresa de ônibus Emtrafesa – www.emtrafesa.com



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Guilherme Goss De Paula

Nascido em Tupã, no interior de São Paulo, sua primeira experiência internacional foi um intercâmbio na Alemanha - onde despertou seu interesse por conhecer o mundo. Trabalhou com turismo nos EUA, no Amazonas e em Santa Catarina. Graduou-se em Turismo e Hotelaria e abriu sua própria agência de viagens. Sempre em busca de novos destinos, acumula passagens por mais de 60 países. Como escritor-viajante, já participou de diversas edições dos guias O Viajante, além de ser colaborador voluntário dos sites TripAdvisor e Mochileiros.com. Sua melhor viagem é sempre a próxima!


Uma resposta para “Huacas del Sol y La Luna, Chan Chan e Huanchaco – Visitando os arredores de Trujillo (Peru)”

  1. […] post anterior, contei que tomamos um ônibus em Trujillo para atravessarmos a fronteira com o Equador. Hoje vou […]

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